Editorial: Tenha filhos! Mas nunca se anule como mulher

Muito se falou sobre o texto do Marcos Piangers nos últimos dias. E eu concordo plenamente com ele. Não tenha filhos se você não vai dar atenção, suporte… TEMPO!

Por outro lado, muito me surpreende – e me entristece – o fato de muitos pais – em sua grande maioria as mães – levarem essas palavras para um outro patamar, que eu fico abismada.

E aqui eu vou falar apenas do lado materno, porque é o que eu tenho autoridade e conhecimento (vivência) para falar. A mãe quase que automaticamente se anula com o nascimento dos filhos. Aliás, na gravidez ela já é praticamente não vista mais como mulher, indivíduo. Apenas como mãe.

Quando nasce, a dependência. Quando cresce, os compromissos deles. Quando não dá para ‘dividir’ os cuidados, a programação diária ou semanal ou até mensal que se altera toda, em geral, é da mãe. Ela se coloca em segundo plano, naturalmente.

Não é fácil esse comprometimento. Quantos julgamentos errados. Quantos olhares tortos. E se nos deixarmos levar por tudo o que pensam ou falam da gente, estamos fritas!

Mas esse é um dos maiores erros da mulher, acredito eu. Eu vejo mães com a autoestima lá embaixo, outras se desentendendo com os parceiros porque eles seguem as vidas ‘normais’ e elas param tudo em função da maternidade. Mas vejo essencialmente a falta de compreender a mãe como mulher e como isso, uma hora, bate na gente com toda força.

Eu sei que no começo, os primeiros mil dias, são difíceis. Ainda mais se é o primeiro filho (infelizmente não posso falar sobre mais filhos – conto aqui!). Concordo que se reprogramar não é tarefa tranquila. Mesmo!

Mas existe um momento em que se torna possível tirar pelo menos meia hora do dia para você. Não é trocar a atenção ao filho pelo seu momento, não é preferir uma academia do que ficar com o filho. É apenas ter o seu momento. Para um exercício, uma meditação, um relaxamento, um cuidado especial. SEM CULPA!

Os filhos são para o mundo, você não pode se trancar numa caixinha até a hora desse momento chegar. Até porque eu acho que a dor de cortar os cordões umbilicais da vida vão ficando mais doídos se você fica dependente deles.

E não é ser desapegado! Muito pelo contrário. É apenas se cuidar, se amar, se respeitar como pessoa, como mulher.

Se você dorme muito tempo depois da sua criança, pode ser um bom momento de tirar 30 minutos. Se você consegue acordar antes dela, outra chance. Se tem com quem deixar por meia hora, aproveite. E nos momentos em que está com os filhos, que seja produtivo, com amor, com alegria, dança, brincadeiras, música, amor e respeito.

Você tem filhos, mas você também precisa viver a sua individualidade. Você não é só mãe… você é uma mulher!

Autor Livia Haddad

Editora do Portal Mães de Jundiaí, mãe da Beatriz

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