A importância do espaço vazio!

Era assim que minhas aulas funcionavam:

Tudo começava às 7:30 da manhã com a música de chegada: cantávamos para cumprimentar e despertar a todos, que na maioria, ainda estavam sonolentos.

Sorteava uma criança para entregar os livros ou cadernos de inglês e lá seguíamos com a aula do dia.

Dezenas de vezes era interrompida para ouvir “causos” de meus alunos. Ficava sabendo que o cachorro da tia havia fugido, que o amigo tinha uma lancheira nova e até que alguém tinha passado mal na van escolar durante o trajeto para a escola.

Aproveitava para contar algo rápido para as crianças. Elas adoravam saber “da vida” do professor. Nossos erros, acertos e saber que também já fomos crianças e passamos pelo que passam hoje.

Atualizada de todas as “fofocas” e notícias, prosseguia a aula.

Conseguia, na maioria das vezes, cumprir com 80% do que havia programado. Os outros 20% eram deixados para a outra aula!

Saía de uma sala e partia para a outra classe, onde iniciaria mais uma hora de aventura e “causos”! E assim, passavam as cinco horas que ficava na escola como professora de inglês.

Construir uma relação de confiança com a criança não é das tarefas mais fáceis. Mas esses minutos valiosos de escuta das crianças me davam a liberdade de seguir com as aulas de uma maneira mais suave. Era nítido como o interesse era elevado!

O segredo de dar aulas não está só em ser um bom professor, mas em criar vínculos com a criança e estabelecer uma confiança.

Em mais de 20 anos de profissão demorei para entender isso, mas aprendi!

Nunca se esqueça que para ser brilhante como professor e como pais é preciso criar um bom relacionamento que irá abrir as portas para a aproximação, e logo, a aprendizagem.

Tenha um espaço vazio em sua agenda todos os dias para quem você ama e sua vida se pintará de muitas cores como um arco íris.

Um abraço

Letícia

Autor Leticia Schmidt

Mãe do Rafael de 13 anos e da Amanda de 10, formada em Letras e Pedagogia com Pós-graduação em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa. Atualmente mora com a família no México e participa de um trabalho voluntário como contadora de histórias para escolas públicas da região.

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