Retorno das aulas em 2021 é possível (e necessário), segundo pediatras

Imagem: Freepik

Um movimento nas redes sociais liderado especialmente por pediatras tem alertado para à saúde das crianças isoladas em casa por conta da pandemia da Covid-19. A Campanha “Lugar de Criança é na Escola” foi lançada por estes profissionais para mostrar à sociedade que a escola é essencial, e mais, que é segura durante a pandemia.

A pediatra Daniela Cunha é uma das profissionais que tem apoiado o movimento e conversou com o Portal Mães de Jundiaí. Ela concorda que é possível o retorno das aulas a partir de protocolos de prevenção bem estabelecidos como a escola ser um ambiente livre de pessoas sintomáticas; manter o distanciamento na medida do possível; o uso de máscaras; higienização das mãos e salas ventiladas.

“Se a escola do seu filho está seguindo os protocolos de forma correta, certamente o retorno as aulas presenciais fará um bem enorme a ele. Em diversos países como Alemanha, França, Bélgica, Dinamarca, Holanda e Noruega as escolas estão abertas, seguindo protocolos de segurança, e não vimos nenhum surto que tenha surgido na escola”, afirma.

Além disso, publicações científicas de estudos concluíram que crianças são menos propensas a contrair a Covid-19 e oferecem menor capacidade de transmissão do vírus para a comunidade em geral, assim diversos países passaram a retomar as aulas presenciais com diferentes medidas de segurança, com resultados positivos.

“Temos que ter em mente é que a atividade não escolar tem mais risco que a escolar”, afirma. Ou seja, se a criança está indo a lojas, supermercados e outros ambientes, acaba tendo o risco maior de contrair e transmitir para pessoas do grupo de risco com quem ela possa conviver ou ter contato.

A especialista também desmistifica a questão de a criança ser assintomática. Segundo ela esse questionamento está praticamente superado pela ciência uma vez que crianças assintomáticas não transmitem o vírus provavelmente porque ela é pouco sintomática, ou seja, tosse pouco e tem pouco catarro. “E ainda tem a teoria da imunidade cruzada: a criança por ter contato com muitos desses quadros justamente por causa da escola, adquire imunidade”, explica.

Perdas
Daniela fala que as perdas de as crianças permanecerem em casa vão muito além do ensino formal. “Estamos vendo um número grande de crianças com distúrbios graves de comportamento e expressando muita dor psíquica, desde sintomas psicossomáticos como dores abdominais, diarreias e falta de apetite até comportamento de hiperatividade e problemas de sono”, alerta.

A preocupação desses especialista é tamanha que criaram a Campanha “Lugar de Criança é na Escola”, liderada pelo pediatra e sanitarista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Daniel Becker. O movimetno foi lançado no dia 1 de dezembro, nas redes sociais.

Retorno seguro
Para um retorno seguro, Daniela elencou algumas medidas necessárias:

  • máscara para todos que estão na escola (exceto crianças abaixo de 5 anos)
  • protetor facial (face shield) para os profissionais de educação
  • álcool em gel
  • água para lavagem de mãos
  • espaçamento (1,5 metros entre as pessoas)
  • salas arejadas
  • protocolos de treinamento os professores, funcionários e famílias
  • preferência por atividades ao ar livre (é a mais segura).

Vale destacar que os pais não devem mandar os filhos para a escola caso tenha qualquer sintoma suspeito de Covid-19. Além das crianças que são do grupo de risco e que tenham doenças específicas ou aquelas que têm muita dificuldade de usar máscara por questões neurológicas.

“Aqui no Brasil teremos que abrir as escolas sem expectativa de vacinas , porque provavelmente nenhuma criança será vacinada no Brasil em 2021. Elas não fazem parte dos estudos, poucos usaram crianças abaixo de 18 anos”, afirma Daniela.

Autor Kadija Rodrigues

Editora do Portal Mães de Jundiaí, mãe do Raul

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