Experiência de Mãe: Relato do parto da Beatriz

Nasceu a Beatriz! Esta história tem exatos 7 anos!

No final de outubro de 2013 eu saí de férias. Pudera, com o barrigão de nove meses já estava pesado demais ir diariamente para São Paulo, pegar ônibus, metrô e já sem posição para sentar. Descansei bastante e não tinha muita força pra fazer todas as coisas da maternidade que estavam pendentes.

No dia 11 de novembro acordo pela manhã, faço meu xixi matinal, tomo um café da manhã devorando o meu único desejo gestacional, um chocotone, e volto pra cama pra mais uma soneca. Eis que me deparo com um pijama molhado! “Ué, mas eu já fiz xixi!!!!”

Segundos depois a tremedeira. “Será que é a bolsa???” Corro pro banheiro e nada de água. “Acho que não é nada!”. De qualquer maneira, achei por bem deixar alguém avisado. Aí que começou meu desespero. Não queria deixar o Luís (pai da Bia), que estava em Campinas, nervoso, por isso resolvi deixar meus pais cientes do que me acontecera. E nada deles atenderem. Poxa, meu pai NUNCA fica sem o celular… 

Ligo, ligo, sem sucesso. Aí o que eu estava ‘tranquila’ se tornou um pesadelo. “E se for alguma coisa?????” Ligo novamente no celular da minha mãe e a minha cunhada atende. Poxa, eu sei que minha mãe não usa celular nas horas que mais preciso, mas justo agora!?!?! Resolvi desabafar com ela mesmo.

– Anna, estou chorando e um pouco nervosa, mas tá tudo bem. É que saiu uma água e eu to meu sem saber o que fazer. Eu acho que foi o tampão.
– Vou chamar seu irmão e ele te leva no hospital. É melhor tirar a dúvida.
Ela tinha razão, mas não queria alarde sem necessidade. Resolvi não ir ao PS até um minuto depois de ligar pro Luís e ser OBRIGADA a ligar pra minha médica, que orientou ir ao hospital apenas para certificar de que estava tudo bem.

Era o tampão e a dilatação já começara em 1 cm.

Foi uma semana de repouso e muita correria! As lembrancinhas da maternidade não estavam prontas e as nossas malas menos ainda! (Aliás, motivos de muitas angústias no dia 11). Corremos pra deixar tudo certinho pro grande dia.

Eu conversava muito com a Beatriz, pra ela aguentar mais umas duas semanas. Mas realmente, coração de mãe não se engana. Eu sabia que ela já estava cansada daquele aperto todo.

Na quarta a noite recebo um e-mail da minha G.O. pedindo pra eu fazer uma ultrassonografia de urgência na quinta. Confesso que apavorei.
Aquela angústia toda só sumiu no dia seguinte, depois do exame que provou que estava tudo bem com minha princesa.

No final de semana, dia 16, comecei a sentir uma dor muito forte no quadril direito, que me levou novamente ao PS. Tava tudo igual, a não ser que o colo do útero estava afinando. Com os comentários das médicas que me atenderam, sabia que logo eu voltaria ali para parir. Minha sorte foi o Buscopan que me aliviou as dores.

No domingo fiquei de cama… com dores no quadril e cansada.

Já na segunda estava bem. Cansada, pesada, mas me sentindo melhor. Fui pra casa dos meus pais e a noite o Luís passaria para me pegar. Até que…

Até que no fim do dia começo a ter umas dores ‘esquisitas’. Ia no banheiro, mas não era dor de barriga. Não sei porque cargas d’água resolvi contar o tempo entre uma dor e outra. Não pensava que pudessem ser contrações, juro!

Vinte minutos! Eram mais de 19hrs e o Luís me liga pra descer e irmos pra casa, mas com dores de vinte em vinte minutos eu não ia ter condições. “Luís, sobe!” E ele liga pra minha médica, uma vez que as dores já me faziam apertar o sofá da sala devido a força com que estavam aparecendo.

– Vai pro hospital, já vou ligar lá pra te atenderem, assim que terminar me liga que eu vou pra lá!
– Dá tempo de tomar um banho? – sim, esta foi uma grande preocupação minha!
– Faz tudo com calma… pegue os  resultados dos exames e levem as malas!
Mas quando cheguei em casa, as dores eram mais intensas e o tempo menor.

E eu gemia, mas ainda suportava aquilo. 
Já na saída do prédio, uma dúvida: “Lu, pegou a máquina?” – ele não tinha pego!
Eu ainda não me dava conta de que era aquela a hora, por que eu estava tão certa que era aquela hora? Eu que não sabia como saberia que a hora era a certa!!!! Ainda assim, rezei um Pai Nosso e uma Ave Maria. Sabia que Eles estavam comigo!

No hospital as forças começaram a diminuir, depois de um bom tempo, enfermeiras começaram a me monitorar!
– Vamos contar suas contrações. Quando começar me avisa. Agora? OK… Uma contração a cada 2m30, duração de 30s. É, você está em trabalho de parto! Quando o médico (que estava atendendo uma emergência) voltar, te examina.
Demorou dias pra mim, nos meus contorcionismos de dor. Ele apareceu, fez o toque: 3cm! As palavras seguintes foram: internação, quarto, chamar sua médica, ligar pro centro de coleta de célula tronco.

No quarto, peço pra minha mãe ligar a TV, era dia de desmascarar o Félix e, quem sabe assim, eu me distraía… Já tinha passado das 22hrs, já acabou a novela! Poxa! O tempo tá voando muito ou eu que perdi a noção dele???

A partir daí, foi muita dor. Muita dor mesmo!!!! Gritos, gemidos, choros, ais e uis pra todo lado. Pessoas me mandando ficar calma e eu querendo berrar o mais alto possível. Meu medo não era a dor, meu medo era aquela dor durar por inúmeras horas. 
Veio a ocitocina. Neguei. Quanto tempo vou ficar aqui??? 

– Doutora, tira ela, pode abrir!!!! 

– Lívia, conversamos tanto sobre o parto normal e tudo indica que você pode ser assim. 

– Cade o Luís? Vou discutir com ele. Ele me deixou a vontade pra decidir!

E foi a médica que me mostrou que eu tinha capacidade de parir normalmente. Se ela confiava em mim, eu também podia fazer o mesmo.
Então manda ocitocina: 6cm. Estoura a bolsa. Sinto fazer um puta xixi na cama, mas tinha uma bacia embaixo. Não doeu. As contrações sim. Mas eu era capaz. Só queria muito que chegassem logo os 8cm pra tomar anestesia.
Hora de ir pro centro cirúrgico. Cade a anestesia? Dói, mas tá dilatando! Quase 9cm!! Aleluia, tomei anestesia! Não sinto nada! Agora podemos fazer qualquer coisa! Agora dou conta.

– Faz força!
– Cade o Luís?
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr… força, força….
– Descansa… outra contração, faz força!
– Cadê o Luís???
– Chama o Luís!!
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr… força, força…
Depois de muitos “faz força” e “chama o Luís”, ele chegou e eu fiz mais e mais força… por longos minutos… e depois de 40 vejo preocupação nos rostos. E eu lá, firme, esperando minha menina chegar. Eu sabia que ia dar tudo certo! 

O aparelho de escutar o coração do bebê já não estava nos dando o retorno esperado. O tum tum forte da Beatriz quase não era audível… As contrações começaram a diminuir…
– Vamos ter que operar.
– Doutora, o que for preciso pro bem da minha filha. Ela é prioridade. Eu não tenho medo de nada!

Minha calma somada a do Luís eram de fazer inveja. Só entristeci por não poder ver a cirurgia.
Depois disso, tudo passou muito rápido. Colocaram o Luís sentado e ele disse que queria ver. “Levanta, olha!! Aproveita que você consegue!”

E foi depois de tudo isso, e muito esforço, que ouço aquele chorinho. O momento mais esperado de toda a gestação. 

Já era dia 19/11, 0h53, com seus 2,775kg e seus pequeninos 46,5cm, meu mundo mudou, minha vida floriu, meu coração disparou e já não era mais meu. O amor transbordou…

Foi assim que pari. De cesárea, com 37 semanas, sem me despedir da barriga, sem sentir a bolsa estourar, sem saber como ia acontecer e, no final, como disse o Luís, dando a luz praticamente das duas formas. Foi tudo muito rápido! As horas passaram voando e foi tudo tão surreal que não conseguimos avisar ninguém!

Mas de tudo valeu. Faria tudo de novo. E vieram noites sem dormir, cólicas, dores, cansaços, mas é o amor da minha vida.

Aquela máxima de “como eu vivi antes de Beatriz???” É verdade… não consigo lembrar da minha vida sem minha filha.

“Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz”(Beatriz, Milton Nascimento)

Ah! Faltou um detalhe importantíssimo no final da cirurgia! Depois de muito tempo dando os pontos nas sete camadas da cesárea, ouço uma ‘conversa’ entre médicos e enfermeira. A contagem das gazes não batiam! Minha médica firmou mil vezes que não tinha ficado nada em mim! Eu pensava: “caracas, não to acreditando que vão me abrir de novo!!!!!!!!!” Meu braço estava dolorido e eu queria sair logo dali pra pegar minha cria!!! Contaram uma, duas, várias vezes e não batia!!! Aí descobriram que a moça que coletou o cordão umbilical usou uma e jogou no lixo, com o sangue e tudo! Por isso ninguém achava! Só digo uma coisa: “UFA!!!!!!!!”

Autor Livia Haddad

Mãe da Beatriz. Fundadora e editora do Portal Mães de Jundiaí. Jornalista, radialista. Fundadora e líder da comunidade Mães de Jundiaí no Facebook.

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