Um dragão a enfrentar

Os medos de uma mãe um dia podem chegar: uma nota vermelha, um joelho ralado, um namoro terminado e um evento que não foi convidado…. e o meu, infelizmente chegou.

Eu sabia que este tipo de coisa um dia iria começar a acontecer. Digo começar, porque não será uma e nem serão duas vezes…tenho me preparado para quantas vezes for preciso, mas quando chega, a dor é grande e nos encontramos despreparadas.

Alguns amigos foram convidados para ir a um parque e o convite aqui não chegou. A primeira coisa que veio em minha mente foi que ela pode não ser a única a não ter sido convidada, que outras crianças da turma também ficaram de fora… que o amiguinho só escolheu os mais próximos da turma para este passeio, então aí tentei acalmar meu coração, mas não foi o que aconteceu.

Mesmo que mais alguém tenha ficado de fora, a mãe quer sempre saber qual foi o critério de exclusão…neste caso, o critério parece meio óbvio e nem preciso citar aqui.

Chorei, tive sentimentos que não gosto de ter, claro que passou pela minha cabeça tirar satisfação, mas aprendi que raiva e tristeza todos sentimos, o importante é sabermos canalizar… e foi o que fiz…canalizei.

Parei e refleti comigo mesma: você sabia que ia passar por isso e chegou o momento! Eu não tenho escolha, eu tenho que enfrentar. Com isso, parei de pensar na dor e apenas tomei algumas atitudes para que ela não soubesse do tal do passeio ao parque. Na minha opinião, eu sentir essa dor era aceitável, mas acho ainda muito cedo ela ter que compreender determinadas situações. Sei que este dia também chegará, mas não é agora que desejo explicar. Também chegará o momento que ela me trará que não foi convidada para algo, quanto a isto peço o que sempre pedi: sabedoria para que não sejamos injustos e nem vítimas, que eu saiba confortá-la e consiga mostrar quanta coisa boa há em sua vida, afinal de contas, nós pais também deixamos de ser convidados para um montão de coisas.

No meio deste turbilhão todo me pego pensando em tudo que eu e meu marido já realizamos com a nossa filha. O quanto ela já vivenciou momentos gostosos, quantos amigos que a amam, quantos lugares já conheceu, quantas histórias já lidas e compartilhadas, quantas frutas experimentadas e quantos chocolates degustados (porque chocolate não é rotina, mas ele é muito bem vindo em certos momentos).

E depois de toda essa reflexão, percebi que assim que deixamos para trás os momentos difíceis, é assim que encaramos o dragão que aparece em nossas vidas… e não é que esse dragão sumiu mesmo?

A gente sabe que o dragão irá voltar, só que agora aprendemos como fazê-lo sumir, então é só ele aparecer que faremos tudo de novo e de novo…até que um dia ele canse, porque NÓS… Ahhh nós não cansaremos de enfrentá-lo nunca!

 

Autor Mariângela Castilho

mãe da Maria Luiza, Idealizadora do Projeto Elas Também Podem e Consultora de Inclusão no Colégio Ápice Eleva

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