Especial Mães: Relato de parto humanizado pelo SUS

 

Lendo alguns relatos me inspirei e acreditei que seria possível, por isso quero compartilhar com vocês a minha experiência.

No dia 12 de Janeiro foi o dia que senti a primeira contração de treinamento, achei que estava entrando em trabalho de parto, mas não, era só o primeiro alarme falso. Seguindo recomendação da minha doula fui para debaixo do chuveiro fiquei lá por uns 30 minutos, e deitei, logo a dor foi embora. Vieram outras dias depois, e outras, cada uma com sensações diferentes, mas geralmente vinham no final do dia e com isso a ansiedade só aumentava. A cada dia achava que seria o dia.

Na maioria das vezes seguia a mesma recomendação, entrava embaixo do chuveiro, as vezes também fazia compressa com bolsa de água quente.

Completadas as 40 semanas iniciamos o acompanhamento no hospital dia sim, dia não e nada de dilatação. Faltando 4 dias para a data limite que o hospital espera para iniciar uma indução, recorri a outras alternativas, fiz acupuntura, tomei o chá Naoli.

Menos um dia…fomos ao hospital pela manha, me lembro muito bem pois eu já estava com a paciência no limite, mais um exame de toque e nada. A noite a nossa doula veio em casa para nos explicar melhor sobre a possibilidade de indução e até mesmo a cesárea, conversamos bastante e recorri a “última” alternativa o óleo de rícino, tomei com suco, confesso que não consegui tomar tudo, que é ruim. Acordei na madrugada com contrações a cada 40 minutos, que vieram em intervalos menores até o amanhecer, porém pela manhã sumiram, passei o dia normal sem sentir nada, apenas o cansaço de uma noite mal dormida e a confiança de que tudo que estava ao meu alcance eu tinha feito e o que me restava era apenas confiar e entregar.

Passando quase um mês daquela primeira “contração”. Com 40+6 foi quando entrei em trabalho de parto realmente. Acordei às 00:11 do dia 11/02/2019 com contrações a cada 20 minutos, eram dores que não aguentava ficar deitada, optei por ficar sentada no sofá e a cada contração revessava entre ficar em quatro apoios, de cócoras, o chuveiro e compressa quente na lombar e entre uma contração e outra tentava dormir ou pelo menos descansar.

Elas foram reduzindo e as 7h da manhã estava a cada 6 minutos (Ahh que alegria, realmente estava engrenando). Até que começaram a oscilar, ficar a cada 9/ 11 /5 minutos, a dor se intensificou mas mil coisas passavam na cabeça, pensei na possibilidade de acontecer igual no dia anterior estacionar.

Quando foi as 11h fui para o chuveiro, na esperança desse trabalho de parto engrenar e foi o que rapidamente aconteceu, as contrações começaram a vir a cada 3 minutos e bem intensas. Foi quando eu entendi a frase “-Quando vc entrar em trabalho de parto saberá”, plano de parto em mãos, fomos para o hospital, no caminho começou a vir duas contrações seguidas, uma fraca, uma forte descansava 3 minutos e recomeçava.

Ao ser examinada pela médica, já estava com 4 à 5 cm de dilatação, nossa que alivio, saber que já estava praticamente no meio do caminho.

Fomos para a sala de pré parto e lá teve agachamentos, massagens, chuveiro, a única coisa que não conseguia era ficar deitada. Me lembro muito bem da doula falando como um mantra “deixa a dor passar pelo seu corpo, respira e deixa ela passar…”
No próximo exame estava com 6cm, nesse momento só pensava que não podia desistir.

Após isso a dor se intensificou mais um pouco e cansaço de noites sem dormir, bateu, já não conseguia ficar me movimentando muito, deitei, vieram os tremores por todo o corpo, eu queria desistir, queria dormir, queria sumir e ao mesmo tempo sabia que eu precisava continuar, eu não estava sozinha, recebi muito apoio do meu marido, da doula e me conectei com uma força maior, que foi me guiando.

Fui mais uma vez para o chuveiro enquanto preparavam a banheira, a intensão era eu conseguir relaxar um pouco e aliviar a dor e realmente foi o que aconteceu, porem ainda incomunicável..kkkkkk

Após algum tempo junto com as contrações vieram vontade de fazer mais e mais força, foi quando a bolsa estourou, a médica recomendou irmos para a sala de parto, mas eu não aguentaria levantar, já estava coroando, minha filha queria nascer naquele lugar, vieram mais umas três contrações, muita força e as 17:13 estava com minha pequena nos meus braços.

Foi a experiência mais intensa e mais maravilhosa da minha vida, me conectei com algo tão sublime, ouvi a cada pedido do meu corpo e fui seguindo minha intuição, me senti muito capaz e consegui perceber a grandeza e a sutileza de Deus em cada segundo.

Sou infinitamente grata ao meu corpo, a minha filha, a Isabel Medeiros (nossa Doula) que foi um anjo na nossas vidas compartilhando todo seu conhecimento, ao meu marido que me apoiou e me auxiliou, a Dra. Tais Cristina Araujo (médica que fez meu pré-natal) maravilhosa desde o primeiro atendimento, a Dra Karayna que recepcionou minha filha e fez o parto, a enfermeira Leslei que me ajudou MUITO na amamentação e a toda equipe que nos atendeu no HU. 

 

Nayélle Rosa Rálio, mãe da Carolina de 3 meses

Autor Redação Mães de Jundiaí

Redação Mães de Jundiaí

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.