A escola é para todos?

Início de ano é momento de ansiedade para qualquer pai e qualquer mãe: escola, ano escolar novo, lista de materiais, entrar na rotina novamente, professores novos, etc. Esta ansiedade pode ser ainda maior para pais de crianças com deficiência.

Além de todos estes itens citados acima, ainda enfrentamos se a escola aceitará nossos filhos, se cuidarão direito deles e principalmente, se acreditarão na capacidade e potencial dos nossos pequenos.

Capacidade e potencial sim, independente da deficiência, todos têm e se acreditarmos poderão ter um desenvolvimento muito bom ao longo do ano.

A lei ainda não é conhecida por todos e gera muitas dúvidas, mas toda e qualquer escola, seja ela, pública ou privada não pode recusar a matrícula de uma criança com deficiência, nem cobrar mensalidade ou taxa a mais por esta condição. Já aí, mostramos que a escola é um direito de todos.

Caso a criança precise de apoio para higiene pessoal e ou apoio pedagógico, é direito desta criança um profissional que o ajude nestas duas áreas. Aqui gosto de lembrar a todos que a lei é geral para toda a sociedade, mas acho muito importante ressaltar um olhar especial dos pais para saber se realmente seu filho precisa. A lei foi criada para termos equidade, sendo assim, se está na lei que é direito do seu filho, porque ele é autista (por exemplo), mas ele não precisa, porque está super adaptado à escola, então acho válido não buscarmos o direito apenas porque ele existe. Se ele não precisa, devemos acreditar em seu potencial e deixarmos a lei para quem precisa dela.

Se o seu filho precisa de apoio da parte médica ou outra especificidade que não seja a pedagógica, por exemplo, se alimenta por sonda, é direito dos pais enviarem um profissional junto desta criança ou uma pessoa da confiança deles. A escola não será responsável por esta alimentação através da sonda.

Meu filho tem deficiência, ele pode participar de excursão da escola? Deve, como qualquer outra criança. Ambos os lados, escola e pais, precisam chegar a um bom senso para que este evento importante na vida da criança aconteça de forma mais saudável possível.

Mas a escola pode informar que já tem crianças com deficiência e não pode receber mais? Sim, dependendo do número de crianças que existe por sala. Contamos no geral com aproximadamente16% da população com deficiência, sendo assim, podemos calcular 16% de alunos com deficiência em sala de aula. Aqui gosto de dar a atenção devida à qualidade do serviço prestado. Não seria uma recusa de matrícula por causa da deficiência, mas sim garantir qualidade para os que ali já estão matriculados e sinceridade com os pais que buscam uma nova escola.

O professor é obrigado a ensinar a todos, mesmo para as crianças com deficiência? É dever do professor ensinar a todos em sua sala de aula, mas em alguns casos, a criança não está no mesmo momento de desenvolvimento cognitivo dos colegas da sala de aula, precisando assim de um currículo adaptado respeitando o momento que ela se encontra. Exemplo prático: a sala pode estar aprendendo de 100 a 150, a criança não consegue ainda pegar no lápis, então existe uma adaptação curricular a ser feita, onde a criança permanece na mesma classe, mas aprendendo com atividades compatíveis para que esta preensão ainda aconteça, ao mesmo tempo que ela pode ter atividades de reconhecimento de números que não precise do lápis. Provavelmente esses números serão baixos, como de 1 a 5, pareamento neste caso também é uma atividade interessante. O objetivo aqui não é mostrar as atividades, mas sim, mostrar que existem crianças que precisam de tarefas bem diferentes do que a classe está aprendendo. Nestes casos, as atividades deverão ser elaboradas pela professora da sala de aula, mas é preciso uma professora auxiliar (ou outros nomes que cada escola utiliza) para que ela acompanhe este aluno. É um trabalho colaborativo entre professor de sala de aula e professor auxiliar.

Para que a inclusão escolar aconteça, precisamos de profissionais que entendam um pouco a funcionalidade das crianças e que acreditem que elas possam aprender, independente do tempo que levará e de quanto ela irá aprender. Entendendo isso, teremos um resultado de sucesso e uma criança feliz e se desenvolvendo muito bem, obrigada!

Autor Mariângela Castilho

mãe da Maria Luiza, Idealizadora do Projeto Elas Também Podem e Consultora de Inclusão no Colégio Ápice Eleva

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