O que é inclusão afinal?

(Imagem: Freepik)

Segundo os dicionários, inclusão é o ato de incluir e acrescentar, ou seja, adicionar coisas ou pessoas em grupos e núcleos que antes não faziam parte (concordo já logo de cara, se pensarmos que durante muitos anos as pessoas com deficiência foram escondidas e reservadas dentro de suas casas).

Socialmente, a inclusão representa um ato de igualdade entre os diferentes indivíduos que habitam determinada sociedade. Assim, esta ação permite que todos tenham o direito de integrar e participar das várias dimensões de seu ambiente, sem sofrer qualquer tipo de discriminação e preconceito.

Se colocarmos no Wikipédia, inclusão social é o conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, preconceito social ou preconceitos raciais. Inclusão social é oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviço a todos.

Para a pessoa com deficiência existe respaldo de nossas leis brasileiras que desde a Constituição de 1988 vem melhorando cada vez mais, ficando bem minuciosa com a Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/15.

Parece tudo perfeito quando falamos de termos e de leis, tudo fica muito claro, mas o que é a inclusão afinal?

Para mim, a inclusão é a oportunidade de aprender a enxergar o ser humano e conviver com as mais diversas diferenças. Em um país tão heterogêneo, a deficiência é apenas uma pequena parcela dessas nossas diferenças.

Fico realmente feliz quando alguém me pergunta algo sobre deficiência ou sobre a Maria Luiza. Nós pais e familiares precisamos também estar de coração aberto para a curiosidade das pessoas, usar o escudo (que precisamos ter mesmo) só para os casos de extrema necessidade. Muitas vezes é saudável enxergarmos a situação ou pergunta como curiosidade e não preconceito. As pessoas tem curiosidade do que nunca viram ou conviveram.

O que sempre digo é que prefiro aquela pessoa que olha, mesmo com aquele olhar crítico (vulgo olhar torto), do que aquele que vira o rosto para não olhar. Aquele que olha terá a oportunidade de enxergar que nossos filhos são diferentes, mas que essa diferença não os impede de ter uma vida como a de qualquer outra criança, já aquele que não quer olhar, nunca enxergará a beleza da diversidade.

Um dia, uma amiga, muito mais que querida, me perguntou:

-Mari, você acha que a inclusão escolar é boa mesmo?

Nem precisei pensar…

– Amiga, a inclusão escolar é a coisa mais linda que pode acontecer para uma criança, desde que seja bem feita. Por exemplo, você sabe tratar ou conversar com a pessoa com algum tipo de deficiência, se pensar em todas as deficiências?

– Acho que não.

– Isso mesmo, não! Não sabemos e eu meu incluo nisso… e não é culpa sua e nem minha especificamente, mas responsabilidade de toda uma sociedade que nunca incluiu. Se tivéssemos a oportunidade que nossas filhas têm hoje, tudo seria diferente atualmente. Então pense…essas crianças serão os futuros engenheiros, que saberão fazer obras acessíveis sem ter que quebrar a cabeça, o médico saberá ouvir o próprio paciente com deficiência e não seu acompanhante, saber da pessoa mesmo o que ele está sentindo e não precisar de um terceiro, assim como advogado. Do lado da criança com deficiência, além de ter seus direitos de cidadão colocados em prática, quando adulta estará mais acostumada a conversar com esses profissionais, afinal sempre conviveu com pessoas além dos seus familiares. Poderão ter um futuro mais ativo, muitas vezes sabendo escolher o que querem fazer de suas vidas, mesmo com suas limitações, enfim, a inclusão escolar é o início de ganho incrível para a sociedade.

Terminamos com boas risadas e a sensação que estávamos conectadas no mesmo pensamento…no mesmo caminho, mais uma vez senti minha amiga de mãos dadas comigo.

Talvez se eu pensasse que aquela pergunta fosse uma pergunta preconceituosa (aquele escudo que alguns pais usam sem necessidade), eu teria perdido a oportunidade dessa boa conversa e um abraço gostoso de amiga.

A inclusão é um processo: complexo, lento e contínuo, mas se pensarmos em 10 anos atrás estávamos bem piores e se refletirmos sobre daqui 10 anos, não tenho dúvidas que estaremos ainda melhores. Estará melhor só para a pessoa com deficiência? Não, esse processo deixará toda sociedade melhor! Tijolinho por tijolinho constrói-se um castelo. Topa me ajudar com seu tijolinho?

Autor Mariângela Castilho

mãe da Maria Luiza, Idealizadora do Projeto Elas Também Podem e Consultora de Inclusão no Colégio Ápice Eleva

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