Sobre conectar-se ao que importa

Imagem #conecteaoqueimporta

Já era tarde da noite e Maria se recusava a encerrar a brincadeira para ir dormir. Eu estava particularmente cansado e ainda precisaria resolver algumas pendências de trabalho depois de colocá-la no berço. Sentado ao lado dela com o celular na mão, eu rolava ansiosamente a timeline do Facebook torcendo para que a brincadeira acabasse logo e eu pudesse ir tomar banho, resolver os tais assuntos do trabalho e, finalmente, ir me deitar.

Em algum momento, ao longo do tempo que fiquei ali sentado ao lado dela, finalmente tomei consciência da cena, como se a visse pelo ângulo de um observador externo, e aquilo me incomodou. Porque eu estava prestando atenção à tela do celular no lugar de brincar com ela essa última brincadeira antes dela ir dormir? O cansaço seria uma desculpa válida? A preocupação com o trabalho?

Não sei as respostas, talvez vocês possam compartilhar o que pensam sobre isso nos comentários. Mas logo lembrei de uma pesquisa que circulou há algum tempo sobre a relação entre pais, filhos e smartphones. A iniciativa partiu de uma empresa de segurança digital, a AVG Technologies, que entrevistou mais de 6 mil pais e crianças com idades entre 8 e 13 anos de nove países diferentes: Austrália, Canadá, República Tcheca, França, Alemanha, Nova Zelândia, Reino Unido, E.U.A. e Brasil.

Em uma comparação país a país, o Brasil aparece em destaque: 87% das crianças brasileiras acham que seus pais exageram no uso de celulares e tablets e 56% confiscariam os celulares dos pais se pudessem. Uma ressalva: quando essa pesquisa circulou por aqui pelo Brasil pela primeira vez, muitos sites publicaram que 56% das crianças gostariam de ser um celular para ter a atenção dos pais, mas, na verdade, tal dado não aparece na pesquisa encomendada pela AVG.

Neste ponto, podemos fazer uma conexão com nossa última coluna, sobre como os pais devem orientar os filhos a usar as novas tecnologias de forma segura e responsável. Durante sua formação, as crianças aprendem diversos hábitos espelhando o comportamento dos adultos. Portanto, para ensinar aos pequenos o uso saudável de dispositivos móveis, o primeiro que deve desgrudar da tela é você. Ao menos enquanto eles estiverem por perto e querendo um pouquinho de sua atenção.

Sobre isso, o Projeto Dedica, da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas, grupo sediado no Paraná, lançou a campanha “Conecte-se ao que importa”. Trata-se de um puxão de orelha nos pais que não sabem dosar o uso de celulares por meio de série de ilustrações com frases como: “Mãe, qual é a senha para falar com você?”, “Quando você larga o celular, é seu filho que vibra” ou “A conversa em casa pode passar dos 140 caracteres”.

Confira as ilustrações acompanhando a hashtag #conecteseaoqueimporta e, assim como eu farei daqui em diante, procure você também se questionar sobre se é mesmo imprescindível verificar as últimas mensagens enquanto você brinca com suas crianças.

Imagem #conecteaoqueimporta

Autor Bernardo Menezes Vianna

pai da Maria, jornalista na Ideias e Palavras

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